Oito tipos de paternidade

A paternidade é algo que possui implicações espirituais profundas. Precisamos ter cuidado para não criticar nossos pais porque, um dia, teremos de lutar contra os demônios que investiram contra eles. É triste, mas muitos filhos seguem os passos dos pais e cometem os mesmos pecados que eles. Isso pode ser observado na vida de Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Salomão, etc.

a. Abraão desonrou sua mulher e seu filho Isaque fez o mesmo (Gn 20.1-2; 26.6-7)
b. Abraão rejeitou seu primogênito; seu filho e seu neto Israel acabaram fazendo a mesma coisa (Gn 21.14; Gn 27.34-35; Gn 49.3-4)
c. Abraão dormiu com a serva de sua esposa e seu neto Jacó fez o mesmo (Gn 16.3-4; 30.2-5)
d. Davi teve problemas com mulheres e com o casamento, como também seus filhos Absalão, Salomão e Amnon (2 Sm 11.2-4; 16.22; 1 Rs 11.3)

Em nossa vida, Deus enviará muitas pessoas para serem nossos pais. A primeira delas é o pai terreno, biológico. Ele terá limitações e, logo, o revezamento começará, quando outras pessoas serão usadas por Deus para nos edificar. Talvez o pai biológico devesse conversar sobre tudo conosco, mas isso raramente acontece, por isso precisaremos de muitos pais durante nossa vida.
Um pai é muito mais que um professor ou instrutor. Seu ministério vai muito além de uma instrução, tendo um efeito sobrenatural e amplo em nossa vida. Precisamos reconhecer quem são nossos pais e a chave para conhecer um pai espiritual é o amor. É através dos pais que Deus nos transmite seu amor.
Muitos pensam que não temos pais por causa do que Paulo disse em 1 Coríntios 4.15. Contudo, o que ele falou é que não temos muitos pais, mas temos alguns. Podemos ter milhares de mestres e instrutores, mas apenas alguns pais.
Outros dizem que não devemos olhar ninguém como pai porque Jesus o proibiu (Mt 23.9). Mas o Senhor disse isso porque nenhum ser humano poderia ser verdadeiramente tudo o que um pai deve ser. Somente Deus expressa verdadeiramente o que é um pai. É por isso que precisamos de um revezamento de paternidade em nossa vida.

O revezamento envolve Deus enviar uma pessoa após a outra em diferentes momentos ou fases de nosso ministério. Nós seremos julgados pela maneira como recebemos os servos de Deus que foram enviados a nós (Mt 21.33-39).
Podemos dizer que teremos pelo menos oito tipos de pais em nossa vida.

1. O Pai celestial (Mt 6.9)
Quando conhecemos a Deus, percebemos seu amor indescritível. Nosso Pai celestial cuida de nós. Um olhar atento para a história do filho pródigo nos mostra a atitude do Pai para com seus filhos pecadores (Lc 15.20-24).

2. O pai biológico
Este é o pai de cuja semente nascemos. Esta pessoa é, com frequência, a única que recebe o reconhecimento de um pai. Este é um grande erro porque ele não é e não pode ser o único a exercer a paternidade sobre os filhos. Devemos orar para que Deus envie pais que ajudem nossos filhos em diferentes estágios da vida deles.
Certo dia, eu orava por algumas jovens senhoras em um avivamento, e orei por elas com todo o meu coração. Então, veio à minha mente a seguinte pergunta: haverá alguém para orar por minha filha quando ela tiver 21 anos de idade? Eu orei para que Deus enviasse pessoas na vida de meus filhos de modo que fossem abençoados e cuidados nos diferentes momentos de suas vidas. Jesus disse para não chamarmos nenhum homem de pai! Ele sabia que nenhuma pessoa desta terra poderia, sozinha, formar qualquer pessoa (Mt 23.9).

3. O pai em Cristo (Gl 4.19)
É a pessoa que nos trouxe para o Senhor, por intermédio de quem entregamos nossa vida a Cristo e nos transformamos em cristãos nascidos de novo. Deus nos envia pessoas que nos fazem nascer no Senhor. Nós devemos sempre estimá-las e honrá-las. É por causa delas que, um dia, iremos ao céu.

4. O pai no ministério
Esta é a pessoa que nos gerou no ministério do Senhor. Por intermédio dela nos encontramos envolvidos na obra do evangelho. Com frequência, os pais no ministério recebem a mesma consideração de nossos pais em Cristo. Nós geralmente os chamamos de pais espirituais. Deus me abençoou com homens cristãos maravilhosos, pelos quais minha vida foi totalmente transformada. Tornei-me um pastor e um ministro pela benevolência paternal deles.

5. O pai da igreja
O pai de uma igreja é o fundador da igreja. É pai no sentido de que fez a igreja nascer. Com seu ministério, a igreja começou a existir. Como Paulo disse aos coríntios: “eu o criei (trouxe à existência) através do evangelho” (1 Co 4.15).

6. O pai de um movimento (Gl 3.7)
Há aqueles que são pais de movimentos. Por exemplo, Abraão é o pai do movimento da fé. Essas pessoas são reconhecidas como aquelas que fizeram nascer gerações de pessoas semelhantes a elas. Kenneth Hagin é visto como o pai do movimento moderno da fé. João Wesley é o pai do movimento da Igreja Metodista.
Os pais são especiais. Os filhos podem fazer maiores obras do que os pais, mas mesmo assim não são reconhecidos como pais. Eliseu fez maiores obras do que Elias. Os milagres de Eliseu eram, com frequência, duas vezes mais poderosos que os de Elias, e foram duas vezes mais numerosos. Josué entrou na terra prometida, conquistou uma terra na qual Moisés foi impedido de entrar. Ele realizou o sonho de Moisés com uma grande demonstração de poder. Mas nem Elias nem Josué tiveram um sucessor. Eram grandes ministros, mas não pais.
No monte da transfiguração, nem Eliseu nem Josué estavam presentes com Jesus. Os pais eram aqueles que apareceram na visão. Não pense que você é maior do que seu pai! Tudo o que os filhos e as filhas fazem é construir em cima dos avanços já feitos pelos pais.

7. O sogro (Ex 3.1)
O sogro pode ser outro tipo de pai biológico. Moisés foi extremamente abençoado por intermédio de seu sogro, Jetro, de quem ele recebeu conselhos importantes.

8. O pai substituto

Este tipo de pai frequentemente substitui o pai biológico, que pode não estar disponível por causa de morte, divórcio ou abandono. Muitos lares não são ideais e Deus levanta pessoas para fazerem o trabalho de pais.
Um pai substituto é alguém que assume a paternidade de uma criança quando o pai verdadeiro não está por perto. Às vezes, os pais substitutos são até melhores do que os pais biológicos.
Os sinais da filiação

Outro dia, no meio do aconselhamento, uma pessoa me disse: “Eu sou sua filha.” Mas eu a corrigi dizendo: “Não, você não é minha filha. Você é apenas um membro da igreja.”
Ela se surpreendeu com a minha resposta, mas eu lhe expliquei: “Como você reconhece os filhos de alguém? Simplesmente observando se eles se parecem com o pai”. Eu tive então de lhe perguntar: “Que semelhanças há entre você e eu? Você não é envolvida no trabalho do ministério, não é uma líder de célula, não está envolvida no ministério e não faz nada na igreja. Você é uma ovelha amada, mas não é minha filha.”
Apenas o fato de frequentar as reuniões e ser agradável não faz de alguém um filho ou uma filha. Gostaria, então, de enumerar sete sinais ou características de alguém que realmente é um filho.

1. Um filho ou filha se parece com seu pai (Jo 14.9)
Quando alguém vê meus filhos e filhas no ministério, descobre que temos alguma semelhança ministerial. As similaridades entre filhos e pais são os grandes indicadores do relacionamento. Espiritualmente e no ministério, há muitas semelhanças entre meus filhos no Senhor e eu mesmo. Jesus disse: “Quem me vê, vê o Pai.”
Um filho não é um clone ou uma fotocópia do pai. Mas tem traços muito importantes e essenciais que recebeu de seu pai. Cada filho tem os genes do pai, tipo de sangue e DNA. Entretanto, alguns filhos têm ainda mais semelhanças e parecem ser exatamente como seus pais. Um olhar mais próximo em meus filhos e filhas no ministério revelará alguns traços essenciais que eu passei para eles.

2. Um filho ou filha é para sempre (Jo 8.35)
Os verdadeiros filhos e as filhas pertencerão sempre à casa paterna. Não importa o que seu filho natural faça, ele pertence sempre à casa paterna, mesmo que esteja vivendo em outra parte. Em seu coração ele sabe o lugar ao qual pertence, sabe quem o criou e como ele veio a ser o que é. Embora já tenha acontecido antes, um verdadeiro filho raramente se levantará contra o próprio pai (1Jo 2.19).

3. Filhos ou filhas confiam plenamente em seus pais (Mt 6.9-13)
Os verdadeiros filhos são cheios de confiança. Em um local de trabalho, há muita desconfiança, pois em geral, a equipe de funcionários não confia no gerente. Mas em uma família, as crianças normalmente confiam totalmente em seu pai. Eu nunca ouvi as crianças entrando em brigas ou em disputas contra seus pais. Diferenças entre filhos da mesma família geralmente têm raízes nos diferentes níveis de confiança que mostram para com os pais.
No ministério, eu observo a mesma coisa. Muitas bênçãos e a unção de Deus fluem por meu intermédio para os filhos e filhas que são mais confiáveis. Alguns filhos e filhas não confiam tanto e são medrosos. Outros são mais confiantes e cheios de fé. Esses sempre conseguem mais das bênçãos de seu pai. Essas diferenças vêm dos vários níveis de confiança que eles têm em mim e naquilo que eu falo.

4. Um filho honra o pai (Ml 1.6)
Podemos esperar honra de um verdadeiro filho, não dos servos ou dos empregados. O ministério deve ser composto de filhos, filhas e de seu pai. Minha maior alegria é ter filhos e filhas espirituais trabalhando comigo no ministério. Esta é a maneira como deve ser. Os verdadeiros filhos e filhas sempre honrarão os pais. A não ser por alguns filhos pródigos, muitos dos filhos e filhas trazem honra e alegria a seu pai.
Os verdadeiros filhos e filhas honram seus pais com os seus bens. É uma vergonha para seu pai ou mãe sucumbir financeiramente quando você poderia ajudá-los. Mesmo quando o seu pai e a sua mãe não precisam de nada, você deve honrá-los com seus bens, porque isso é o que a Bíblia ensina.

5. Filhos obedecem a seus pais (Ef 6.1-3)
Os verdadeiros filhos obedecem a seus pais. Eu nunca tento exercer a autoridade sobre pessoas que eu percebo não serem meus filhos ou filhas no ministério. Quando detecto que alguém não é um filho ou uma filha, imponho limites em relação a dizer o que aquela pessoa deve ou não fazer. Somente os verdadeiros filhos e filhas obedecem.

6. Filhos e filhas fazem aquilo que veem seus pais fazerem (Jo 5.19)
Um verdadeiro filho está atento àquilo que seu pai faz. É interessado e sente que seu pai conhece o caminho. Foi isto o que Jesus fez: curou somente quando viu seu pai curando e pregou somente quando viu seu pai pregando.
Raramente os filhos são mais sábios do que seus pais. Por que Jesus não curou toda a multidão ao redor do poço de Betesda? Ele curou um homem, nem sequer tocou no restante das pessoas. É como entrar em um hospital e curar somente uma pessoa. Não faz sentido, mas foi isso que o Pai fez. Jesus estava satisfeito em fazer aquilo que viu seu Pai fazer.

Tenho observado como meus filhos e filhas no ministério florescem quando fazem o que me veem fazer. Pregam o que eu prego e ensinam o que eu ensino. Não são clones estúpidos; eles são simplesmente bons filhos e boas filhas! Naturalmente, todo pai humano (como eu mesmo) é imperfeito e sua vida nunca será o exemplo perfeito para ser seguido. Nosso exemplo final é Cristo! Mas Deus nos dá pais nesta terra para que possamos ter os exemplos práticos e tirar proveito deles.

7. Os filhos acreditam em seus pais (Lc 23.46)
Jesus acreditou que seu Pai era poderoso. Jesus compreendeu o poder de seu Pai. Suas últimas palavras na cruz foram para confiar-se aos cuidados de seu Pai: “Pai, nas tuas mãos eu entrego meu espírito”. Com aquelas palavras, Jesus arrancou sua alma para fora das mandíbulas da morte e a colocou nas mãos de seu Pai.
Ele acreditou em seu Pai e mesmo quando os terrores da morte o invadiam, ele sabia quem tinha o poder para salvá-lo. Não é surpreendente que suas últimas palavras na terra jogassem tamanha luz na crença de um filho em seu pai? Extraordinário!

Aluízio A. Silva

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